Funcionários de estacionamento furam fila da vacina em Guarulhos; hospital vai apurar

A denúncia revelada com exclusividade pelo HOJE de que funcionários da rede de estacionamentos Líder Parking, em Guarulhos, foram vacinados mesmo fora dos grupos considerado prioritários, o que levou o Hospital Carlos Chagas a abrir uma sindicância para apurar os motivos da suposta fraude no processo de vacinação contra a covid-19.

A própria empresa de estacionamentos, que fica a poucos metros do hospital, na rua Coronel Portilho, no Centro, confirmou que apenas oito funcionários foram vacinados, “uma vez que eles são os primeiros a terem contato com possíveis infectados pelo coronavírus”.

Segundo a denúncia, o número de vacinados é bem maior que os oito admitidos pela Líder Parking e que supostamente envolve funcionários da rede na cidade de São Paulo.

Segundo o hospital, a sindicância terá como objetivo a “apuração dos fatos relatados e providências cabíveis”. No entanto, a unidade não informou quantas doses da vacina recebeu do Ministério da Saúde.

Já o responsável pelo departamento financeiro da Líder Parking, Gabriel Couto, confirmou a imunização de seus funcionários. “Estamos vacinando aqueles que estão na linha de frente. O primeiro contato dos pacientes é com os manobristas do estacionamento. Funcionários de outras unidades em hospitais também serão vacinados”, explicou Couto.

A Prefeitura de Guarulhos, por meio da Secretaria de Saúde, informou que devido à quantidade reduzida de doses que o município recebeu, neste momento, apenas estão sendo vacinados os profissionais de saúde com maior risco de exposição à infecção, agravamento e óbito pela doença, além dos indígenas já mapeados na cidade.

A Administração Pública ressaltou que toda e qualquer denúncia relativa à vacinação da covid-19 deve ser formalizada na Ouvidoria da Saúde (0800 772 2986) e também no Ministério Público, que criou um canal específico para isso.

O Governo do Estado esclarece que neste primeiro momento, profissionais de saúde, idosos com mais de 60 anos e pessoas com deficiência com mais de 18 anos vivendo em instituições de longa permanência, indígenas aldeados e quilombolas receberão as doses, com o apoio de equipes da atenção primária do SUS, segundo as estratégias adequadas ao cenário local. A inclusão de novos grupos populacionais será norteada pelo PNI (Programa Nacional de Imunizações), do Ministério da Saúde.