Doenças cardiovasculares: por que não esperar o aparecimento de sintomas

Foto: Freepik

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares representam 33% das mortes no mundo, matando mais do que câncer e doenças pulmonares, patologias que ocupam o segundo e terceiro lugar, respectivamente, entre as mais letais. Diante deste cenário, o cardiologista Diandro Mota, diretor médico da Neomed, healthtech brasileira criada com o propósito de reduzir a distância entre os sintomas e o tratamento de pacientes com doenças cardiovasculares, destaca que poucas pessoas sabem que não se deve esperar os sintomas para cuidar da saúde do coração.

De cada 3 pessoas, 1 vai a óbito em decorrência de doenças cardiovasculares. Segundo dados da OMS, em 2019, cerca de 18 milhões de pessoas morreram no mundo, sendo o infarto a principal causa. O infarto é um evento cardiovascular agudo e os sintomas incluem dores no peito, falta de ar, suor frio, náusea, vômito e dores abdominais. Porém, o cardiologista aponta que algumas doenças cardiovasculares, como hipertensão, dislipidemia e acúmulo de placas de gordura, costumam ser silenciosas, o que dificulta a descoberta.

Diandro Mota explica que a demora para procurar tratamento e receber o diagnóstico correto é um comportamento recorrente entre grande parte da população. “É comum vermos pessoas buscarem ajuda médica para doenças cardiovasculares apenas quando percebem algum sinal ou sintoma. Nesses casos, existem altas chances de já estarem vivenciando uma fase mais avançada da doença, na qual alterações já se instalaram pelo organismo a ponto de gerar sintomas. Em doenças cardiovasculares subclínicas, as pessoas têm alterações que não causam sintomatologia, mas são graves o suficiente para aumentar as chances de terem um infarto futuro”, ressalta.

Esse cenário gera uma frustração entre os médicos, pois dados do estudo da InterHeart apontam que 90% dos casos de primeiro infarto poderiam ser evitados, já que estão relacionados a fatores que são potencialmente controláveis e fáceis de identificar. São fatores de risco: colesterol alterado (qualidade e quantidade), tabagismo, fatores psicossociais (ansiedade e estresse), pressão alta, diabetes, obesidade abdominal ou visceral, baixo consumo de frutas, verduras, legumes e pouca atividade física.

Também existem fatores que não são controláveis, como idade e genética. No entanto, para o cardiologista, é essencial que as pessoas tenham consciência da importância de adotar um comportamento preventivo, que consiste na busca constante de condutas para garantir saúde, bem-estar e segurança. “Os pacientes devem marcar avaliações com cardiologistas para identificar todos os fatores que estão aumentando as chances de ter um derrame ou problema cardíaco no futuro, que pode levar ao óbito ou à incapacidade funcional”, afirma.

Tecnologia para acelerar o diagnóstico e tratamento de doenças cardiovasculares

A tecnologia pode ajudar na integração de dados em saúde para estimativa de risco dos pacientes e, a partir disso, propor estratégias de intervenção. Porém, é fato que esse recurso está longe de ser realidade em todo o Brasil. Geralmente, pessoas com dificuldade de acesso à saúde, não têm oportunidade de passar por uma avaliação preventiva e o primeiro contato com os cardiologistas se dá no momento em que já estão em uma situação mais crítica.

O desfecho desse paciente vai depender de quanto tempo demorou para buscar ajuda e quanto tempo o médico levou para diagnosticar e tratar. Nesse contexto, a tecnologia pode ajudar de forma bastante significativa, pois a probabilidade de atendimento por cardiologistas na emergência de hospitais públicos é muito baixa.

Além deste problema, existe outra grande dificuldade que vem sendo enfrentada na saúde brasileira: a desigual distribuição de médicos entre as regiões. De acordo com dados de uma pesquisa sobre Demografia Médica no Brasil em 2020, dos médicos com título de especialista no país, apenas 4,1% deles são cardiologistas, sendo que 71% se encontra nas regiões Sul e Sudeste.

De acordo com a Jornada IAM QT – Interception 2020, cerca de 84% dos médicos que trabalham nas emergências se sentem inseguros em interpretar o eletrocardiograma. “Hoje com a telecardiologia, conseguimos oferecer recursos diagnósticos feitos por especialistas à distância para as regiões mais remotas do Brasil. Mesmo que o paciente esteja longe, se tiver uma solução como o Kardia – plataforma da Neomed que ajuda no diagnóstico e na conduta médica de pacientes agudos – por exemplo, em poucos minutos é possível obter o diagnóstico”, explica.

Com o Kardia, a partir do momento em que o eletrocardiograma é feito e inserido na plataforma, em menos de 50 segundos a inteligência artificial interpreta se o exame está normal ou se há probabilidade de ter anormalidade. A partir disso, o cardiologista de plantão é acionado e libera o laudo em menos de 5 minutos.

Além disso, a plataforma também oferece ChatBot para um tratamento D2D (doctor to doctor), no qual o cardiologista especialista pode auxiliar o médico que está com o paciente na definição do tratamento mais adequado. Em caso de infarto com supra de ST, a intervenção precisa ser imediata, já que o vaso está totalmente entupido e precisa ser aberto o quanto antes. Cada minuto de atraso corresponde a 11 dias a menos de vida para o paciente.

“O tempo é crucial e nada melhor que a inovação tecnológica aliada a qualidade técnica de cardiologistas capacitados para entregar valor para os pacientes e reduzir os índices de mortalidade das doenças cardiovasculares”, finaliza o especialista.

- PUBLICIDADE -