O Ministério Público Federal e a Polícia Federal deflagraram ontem a Operação Hipócritas, que investiga esquema de frau­des em perícias médicas de processos trabalhistas praticado por médicos de Guarulhos e outros 19 municípios paulistas.

No total, mais de 200 agentes da PF cumpriram três mandados de prisão preventiva, 40 de condu­ção coercitiva e 52 de bus­ca e apreensão decretados pela 1ª e 9ª Varas Federais de Campinas a pedido do MPF.

As investigações apuram a cooptação de peritos médicos judiciais por mé­dicos assistentes técnicos, a serviço de escritórios de advocacia contratados de grandes empresas, resultando em perdas para trabalhadores afastados de suas funções por conta de doenças ou acidentes relacio­nados à sua vida laboral e para a Justiça, que arca com as perícias da maioria dos trabalhadores que perdem as ações na Justiça do Trabalho em virtude dos lau­dos fraudados.

O esquema de corrupção de médicos peritos judiciais funciona pelo menos desde 2010. A Operação Hipócritas já constatou a ocorrência de pelo menos quatro crimes: falsa perícia, corrupção de perito judicial, corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro. Além disso, novos crimes poderão ser descobertos no curso das investigações, que se iniciaram após denúncia do Sindicato dos Metalúr­gicos ao Ministério Público do Trabalho e de uma representação de um juiz de Direito do interior do Estado.

Há suspeita de que diversas empresas foram beneficiadas pelo es­quema de corrupção de peritos médicos na Justiça do Trabalho: empresas de pequeno, médio e grande porte, dentre as quais multinacionais e gigantes do setor automobilísti­co. A rede de corrupção envolve, além dos próprios peritos judiciais (nomeados pelo juízo para uma análise independente do caso), assistentes técnicos (médi­cos auxiliares contratados pelas partes), advogados e representantes de em­presas.

Foto: Ivanildo Porto

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