‘Caso Ladies First’ completa 15 anos com condenações e sem indenizações

Wellington Alves

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O desabamento do teto de um imóvel na Avenida Paulo Faccini, que abrigava a festa Ladies First, completa 15 anos nesta quarta-feira (28). Na tragédia, seis pessoas morreram e cerca de 150 ficaram feridas. Até hoje, as vítimas não receberam as indenizações e, por morosidade da Justiça, alguns dos responsáveis sequer foram presos, já que os crimes prescreveram.

O caso ganhou repercussão nacional. O local não tinha alvará de construção e nem de funcionamento. Apesar disso, recebeu cerca de 600 pessoas, que se aglomeraram em um galpão com 350 metros quadrados, segundo a Polícia Civil. No local, não havia saída de emergência. O mezanino desabou e os horrores daquele dia ainda ecoam nas famílias guarulhenses que perderam entes queridos.

Uma das mortes que mais chamaram a atenção foi a da adolescente Daniele, que à época tinha 14 anos. O pai dela, Jair Pereira, processou os responsáveis pela festa, o dono do imóvel e a Prefeitura. De acordo com o advogado criminalista Cristiano Medina, só a ação dela ultrapassa R$ 1 milhão, mas ainda não houve execução. “O caso Ladies First é emblemático e, se tivesse sido levado a sério, poderia ter evitado outras tragédias”, afirma.

De acordo com Medina, o Ministério Público do Estado não considerou que houve dolo eventual (intenção) dos organizadores e do proprietário do imóvel. Isso permitiu que o dono do espaço, Wilson Gonçalves, e o engenheiro Silvio Luiz Rodrigues de Camargo fossem condenados à prisão, mas eles não cumpriram as penas pela prescrição do crime de homicídio culposo (sem intenção de matar).

Para efeito de comparação, os responsáveis pelos incêndios na boate Kiss, em Santa Maria (RS), e no Ninho do Urubu, no Rio de Janeiro, foram acusados por dolo eventual. “Na festa, um bombeiro civil avisou os organizadores que o mezanino iria desabar e que deveriam parar a festa. Eles não quiseram. Aceitaram o risco e aconteceu a tragédia”, explicou Medina.
Os organizadores da festa, Arlécio Alison Morais e Heric Fabiano Dias, não sofreram grandes punições. Arlécio ficou preso em regime semiaberto por oito meses, até conseguir progressão para o regime aberto. Já Heric ficou preso por três meses. No caso de Wilson, ainda tramita recurso do Ministério Público no Superior Tribunal de Justiça (STJ).