Motoristas de aplicativo preparam protesto para sexta-feira na cidade

Antônio Boaventura

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Os motoristas de aplicativo que foram até a unidade do Fácil Trânsito, no Parque Cecap, para entregar a documentação exigida pela prefeitura para a respectiva prestação de serviço tiveram que ter muita paciência para encarar a fila e a longa espera pelo atendimento. Eles também contestaram o decreto do prefeito Guti (PSB) e preparam protesto para esta sexta-feira (11).

Diante deste impasse, independente da localidade em que estejam os passageiros, os motoristas estão deixando de atender o município de Guarulhos, em função da possibilidade de serem multados pelos agentes de fiscalização do governo guarulhense. De acordo com os prestadores de serviço, a multa pode chegar em até R$ 8 mil.

“É muita papelada e esse decreto prevê muita burocracia para um simples sistema. Eu sei que é por segurança, mas acho que é muita coisa para algo tão simples. Eu moro em Guarulhos, mas não rodo em Guarulhos, por conta dessa situação. Não compensa. Estou perdendo um dia com toda essa papelada e não sei quando estará resolvido”, disse o motorista de aplicativo Paulo Henrique, 29 anos.

Já Israel Santos revelou que por conta da possibilidade de ser autuado, ele não atende as demandas relacionadas ao município. Santos estava na fila para atendimento na unidade do Fácil Transportes e destacou a falta de segurança provocada pelo decreto para que possa manter as atividades na cidade.

“Não é um boicote. O pessoal está com medo de rodar, aqui, e os caras [agentes da Prefeitura] pegar e aplicar uma multa de R$ 8 mil. Isso complica. Eu sou de São Paulo e quando tenho que trazer um passageiro, deixo ele e desligo aplicativo. E o que você ganha no mês não dá pra pagar”, concluiu Israel Santos, 55, motorista de aplicativo há 1 ano.

A administração pública, através, da secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana (STMU) informou que se cadastraram, até o momento, cerca de 5,5 mil motoristas de aplicativos. Procuradas, as empresas de transporte por aplicativo optaram por não se manifestar sobre o assunto.

Foto: Ivanildo Porto