Ouvidoria investiga suposta coação de médicos para aderirem à greve

Reportagem: Wellington Alves

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A Ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde recebeu uma denúncia anônima que dois médicos estariam coagindo um terceiro a aderir à greve convocada pelo Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) nos postos de saúde, a partir de segunda-feira. O HOJE revelou o caso, com exclusividade, pelo Facebook na tarde de ontem.

O líder do governo na Câmara, vereador Eduardo Carneiro (PSB), afirmou que um grupo tem feito “burburinho” para forçar uma adesão maior. “A secretaria está monitorando o movimento, ligando para todos os médicos. Poucos vão paralisar”, comentou.

Eder Gatti Fernandes, presidente do Simesp, comentou que espera adesão total dos médicos à greve, mas ponderou que desconhece “coações” entre os profissionais. Ele disse que deseja uma nova reunião com o prefeito de Guarulhos, Guti (PSB), para evitar a paralisação, que irá impactar a população.

Em nota, a Prefeitura informou que a Procuradoria Geral do Município considera a greve abusiva e que ingressará com medidas judiciais para manter o atendimento médico à população. A gestão Guti destaca que, na hipótese de reconhecimento judicial da ilegalidade do movimento, os dias parados poderão ser descontados dos salários.

Câmara convoca presidente de sindicato por querer ‘reduzir atendimento médico’

O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, Eduardo Carneiro (PSB), informou que o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), Eder Gatti, foi convidado a prestar esclarecimentos sobre a tentativa de executar um movimento grevista nos postos de saúde.

O sindicato anunciou, ontem, que os médicos estão em estado de greve, que entra em vigor na próxima segunda-feira. Segundo Carneiro, a decisão não pode ser considerada séria, já que “menos de 20 médicos não podem falar por mais de 700”. A Secretaria de Saúde está monitorando a situação e vai reagendar as consultas daqueles que, eventualmente, forem prejudicados.

Para Carneiro, o movimento de Gatti é político, com foco em desgastar o governo Guti. “O sindicato quer reduzir os atendimentos dos médicos a três por hora. Isso é um absurdo”, disse. O vereador citou ainda que há profissionais envolvidos no movimento grevista com produtividade de 25%. “Aqui em Guarulhos o médico tem que trabalhar as 20 horas pelas quais foi contratado. A maioria compreende isso”, comenta.

Gatti justificou que a greve não é política. O sindicato cobra a redução de quatro para três consultas agendadas por hora nas UBSs, reforço na segurança, mudança no critério de gratificação e na jornada dos especialistas, além da contratação de médicos. Ele afirmou que está à disposição da Comissão de Saúde e do prefeito Guti para debater o tema. “Queremos resolver essa questão antes da greve acontecer”, afirmou.