PM encerra quase um baile funk por dia em Guarulhos

Reportagem: Ulisses Carvalho

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A Polícia Militar encerrou somente neste ano em Guarulhos, 169 bailes funk, segundo informações obtidas pelo HOJE através da Lei de Acesso à Informação. Os dados correspondem até o dia 10 deste mês, porém, quando questionada sobre os bairros com maior número de casos, a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo (SSP), informou que não dispõe de dados específicos.

Mesmo diante do grande número, moradores ainda continuam relatando sobre problemas com os bailes funk, como é o caso da rua Sertãozinho, no bairro do Jardim Bela Vista, rua dos Médicos, no bairro do Pimentas e rua Bela Vista do Paraíso, no bairro do Jardim Presidente Dutra.

Entre as principais reclamações dos moradores estão desde o barulho, até o tráfico de drogas, fechamento de rua e também jovens que estariam urinando na própria via. Até o mês de abril deste ano, segundo a Central de Atendimento da Guarda Civil Municipal (GCM), os bairros com maior número de denúncias de baile funk eram a região de Cumbica, Pimentas, Jardim Aracilia, Jardim São João, Taboão e Soberana.

Neste ano, uma carreta de som já foi apreendida no ‘Campo do Vermelhão’, localizado no Jardim Vermelhão, área que ficou conhecida principalmente após a morte de três pessoas durante um baile funk realizado no ano passado. Além disso, em uma operação contra o pancadão na Praça Juscelino Kubitschek de Oliveira, no bairro do Jardim Bela Vista, terminou com a apreensão de dez veículos.

A reportagem já recebeu denúncias de bailes funks no Jardim Tupinambá, Jardim Presidente Dutra, Jardim Vermelhão, Jardim Bela Vista, Vila Fátima e Sítio dos Morros. De acordo com a antropóloga e pesquisadora Izabela Nalio Ramos, 29, o baile funk é realizado por um conjunto de fatores, entre eles, a falta de lazer de parte da população.

‘O baile funk tem todo um mercado em volta dele’, diz antropóloga

Segundo Izabela, o funk é uma expressão popular antiga, que se estabeleceu como opção de lazer, começando no Rio de Janeiro, depois seguindo para a região da baixada santista e se espalhando pelas periferias de São Paulo. “O baile funk tem todo um mercado em volta dele, seja de bebidas e comida. É uma proximidade para esses jovens e adolescentes de trabalho, é o meio onde eles conseguem se expressar”, destacou a antropóloga.

Izabela afirmou a reportagem que os adolescentes que conhece não têm muita circulação pela cidade, seja pela questão financeira ou também pelo preconceito imposto pelo ambiente onde circula. “O preconceito que a sociedade tem com o funk é o mesmo com a periferia”, concluiu.

Apesar da associação do funk geralmente com o tráfico de drogas, de acordo com a antropóloga, ele também além da opção de lazer, cultura e expressão para o jovem, pode fazer parte da autonomia financeira, gerando empregos, desde a pessoa que monta o palco, até os comerciantes na região.

“A escola poderia ser um meio onde o funk como expressão artística poderia ser abordado para ser utilizado como um meio de autonomia para o jovem” destacou Izabela.

Foto: Reprodução Rede Social