Quase 80% dos usuários do SUS não conseguem marcar consultas pelo aplicativo Saúde Guarulhos

Antônio Boaventura

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Com o propósito de agilizar e propiciar maior dinâmica no atendimento dos serviços relacionados a Saúde, a Prefeitura de Guarulhos lançou há 13 dias o aplicativo Saúde Guarulhos. No entanto, a iniciativa não apresenta resultados satisfatórios e quase 80% dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) encontram dificuldades para agendas suas consultas em uma das 69 Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade.

O resultado desta insatisfação é fruto de uma enquete realizada pelo HOJE em seu perfil do Facebook no período entre 31 de outubro e 4 de novembro. Participaram da enquete 2.700 pessoas. Destas 77% apontaram alguma dificuldade para marcar sua consulta em uma UBS do município e outros 23% afirmaram ter obtido êxito nesta operação, que segundo a administração pública é inédita no país.

“Só lamento. Triste isto. Sem contar que falta médico. Só um ginecologista não dá conta. Clínico geral é outra calamidade, pediatra, então, nem se fala. E as atendentes pensam que estão fazendo um favor e são mal educadas. Respondem mal para as pessoas, principalmente quando são idosos e tratam de qualquer jeito”, declarou Edna Cardoso.

Um desses problemas está relacionado ao Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos municípios. Sem a devida integração a este sistema, o aplicativo não conta com o histórico, os dados, procedimentos realizados e os resultados de exames dos pacientes do SUS, atendidos na Atenção Básica. O prontuário também permite a verificação, em tempo real, da disponibilidade de medicamentos ou mesmo o registro das visitas de agentes de saúde.

“Não consegui. [O] aplicativo é muito bom em questão de agilidade, porém, sem vagas não dá certo”, disse Rosilaine Ribeiro.

De acordo com informações obtidas pela reportagem, o governo municipal desembolsou a quantia de R$ 6,7 milhões dos cofres públicos para custear a plataforma, que será do município por apenas 12 meses. O aplicativo também é alvo de queixas dos médicos que atendem no sistema de saúde do município. Alguns deles procuraram o Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp) para questionar as condições de trabalho que o aparato tecnológico impõe aos profissionais.

Menos de 20% das vagas da rede foram disponibilizada para o app

Neste primeiro momento, menos de 20% das vagas de toda a rede municipal de saúde foram disponibilizadas para o app. O restante da agenda médica permanece disponível para o agendamento presencial, com garantia de acesso às prioridades (gestantes, idosos e crianças, entre outros), bem como para os retornos médicos.

 Por determinação da Secretaria de Saúde, todas as UBS trabalham com a agenda aberta, permitindo a marcação de consultas durante todos os dias da semana, dentro do horário de funcionamento das unidades. Sendo assim, caso o paciente receba informação diversa, de que o agendamento é realizado em uma única data, ele deve entrar em contato com a Ouvidoria da Saúde pelo telefone 0800-772-2986 para comunicar onde ocorreu o fato e o nome do funcionário de quem partiu a orientação equivocada, para que sejam adotadas as providências cabíveis.

 A Secretaria de Saúde esclarece ainda que, nos casos em que a agenda do profissional não tiver vaga para data próxima, a pessoa pode procurar a equipe de acolhimento da unidade, setor que faz a avaliação do paciente e encaminha para atendimento médico sempre que necessário. A mesma conduta pode ser adotada por aqueles que tiverem alguma dificuldade para operar o aplicativo nesses primeiros dias de operação.

Foto: Ivanildo Porto