Sob intervenção, Prefeitura abre investigação para apurar “saidinhas” de médicos no Ambulatório da Criança

Antônio Boaventura

[email protected]

A partir desta segunda-feira (29), o Ambulatório da Criança funciona sob a intervenção da prefeitura, que abriu investigação para apurar denúncia contra médicos que não cumprem sua carga horária semanal. Diante deste quadro, o prefeito Guti (PSB) promoveu mudanças na administração daquela unidade de saúde. Pelo menos quatro profissionais foram flagrados nesta condição.

“Diante das denúncias já abrimos uma sindicância, publicada no Diário Oficial do Município (DOM), essa investigação e sindicância está na Controladoria do Município e já vai investigar os envolvidos e outros que não estão envolvidos neste caso e que de alguma forma tenha corroborado para que isso tenha acontecido”, declarou o prefeito Guti.

O chefe do Poder Executivo entende que a medida adotada serve para que as investigações possam ter seu curso normal. Ou seja, sem interferências. Contudo, ele elogiou a qualidade do corpo médico que atende nas unidades de saúde da cidade e considerou o incidente como um caso isolado aos quase 2 mil profissionais que a municipalidade possui.

“A gente precisa de resposta rápida e a população quer resposta rápida, principalmente as pessoas que utilizam este espaço para cuidar da sua saúde. E vamos tentar recuperar o bom atendimento desta unidade e tomar as medidas cabíveis. Foi veiculada uma situação muito ruim, onde alguns médicos não estavam cumprindo sua carga horaria de forma efetiva”, explicou.

Já Ana Kantzos, secretaria de Saúde, revelou que a pasta irá fazer levantamento da agenda de atendimento e carga horária dos médicos, além de promover uma readequação na jornada de trabalho dos mesmos.

“O Ambulatório da Criança está sob nova administração e intervenção de uma equipe da secretaria da Saúde. Nós vamos levantar toda questão de agenda e horário de cada profissional e fazer os acertos adequados para poder exercer essa jornada de trabalho de fato”, disse Ana.

A sindicância aberta tem como propósito investigar a conduta dos médicos Éder Réccio (endocrinologista), que tem carga horária de 12 horas semanais e recebe R$ 3.914,00 por mês, Sandra Leiko (neurologista), que presta serviço por 24 horas semanais e recebe R$ 9.086,00, Iwanhoer de Oliveira (hebiatra), que tem carga horária de 20 horas semanais e recebe R$ 11.245,00, e Sueli Rizutti (neurologista), que tem jornada de 12 horas de trabalho semanais e recebe R$ 5.202,00.

Todos eles foram flagrados prestando atendimento em outras unidades de saúde da rede particular durante o horário de expediente deles no Ambulatório da Criança, única unidade para atendimento a criança e adolescente no município. Nenhum dos médicos citados na reportagem foram encontrados para se pronunciar sobre o assunto.