Guarulhos abriga a maior ocupação habitacional da era Bolsonaro

Antônio Boaventura

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Com quase duas mil famílias, a ocupação Nova Vitória, localizada no bairro Jardim São João, é a maior do País, até o momento, no governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL), organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Aquela área pertence à massa falida da Viação Aérea São Paulo (Vasp) e foi ocupada em meados de junho deste ano por pessoas de diversas regiões do município.

De acordo com Zelídio Barbosa, organizador do MTST naquela ocupação, revelou que os responsáveis pela Vasp deixaram de pagar os impostos da área de mais de 50 mil metros quadrados ao município desde 2011. O mesmo aponta que o propósito deste ato é solucionar o problema de moradias daquelas famílias que ocupam o respectivo espaço.

“O nosso objetivo é resolver o problema de moradia e o desespero das famílias por falta de uma política habitacional que temos no município, estado e no País todo. Não tem uma política habitacional séria e todos nós temos a consciência da falta de investimento em moradia popular”, disse Barbosa.

Entretanto, o coordenador de movimento ressaltou que a Ocupação Nova Vitória está entre as maiores do MTST no País e a primeira realizada na era do governo Jair Bolsonaro. Ele espera que a legislação possa ser cumprida e a mesma possa ter uma finalidade social ou o direcionamento para a construção de moradias populares.

“Ocupar essa área não é uma questão de estratégia, mas de abandono. Esta área estava abandonada há mais de 30 anos e não tinha uma função social, que a lei diz que tem de cumprir. Ela se trata de uma massa falida que deve muito para o município e está entre as maiores do MTST no País”, explicou.

Para ele Guarulhos está entre as principais cidades pelo movimento em função do PIB (Produto Interno Bruto), que coloca o município entre os quinze maiores do Brasil, porém, destaca a necessidade de solucionar o déficit habitacional de cerca de 160 mil moradias. Barbosa afirmou também que os movimentos podem ser a solução para resolver este problema e propõe parceria com o governo municipal. 

“Nós estamos falando de uma ocupação feita no governo [Jair] Bolsonaro (PSL). A declaração dele foi muito covarde. Quando um governo fala que vai eliminar os dois maiores movimentos organizados do País, que luta e reivindica o direito daquele cidadão que não tem voz, mas é transparente, é uma ignorância e você declara que não conhece os problemas do seu País e não tem condições de governar”, concluiu.

Justiça permite permanência de ocupação da área da Vasp até fevereiro do próximo ano

Em audiência de conciliação realizada na última quinta-feira (15), no tribunal da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do estado de São Paulo, o juiz João de Oliveira Rodrigues Filho permitiu que o espaço de propriedade da Viação Aérea São Paulo (Vasp) pudesse ser ocupado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) até o dia 13 de fevereiro de 2020.

Nesta data, representantes da massa falida, movimento social e da prefeitura terão de apresentar à Justiça, em nova audiência, relatório com a quantidade de pessoas que ocupam o local, a delimitação da área e o seu valor.

“O juiz permitiu que ficássemos aqui por seis meses sem que ninguém possa nos encher o saco. Nós apresentamos os relatórios e a saída para as moradias. O MTST nunca fez uma ocupação desordeira e nunca vamos fazer. Se os governantes resolver o déficit de moradia acaba com os movimentos”, declarou Zelídio Barbosa, coordenador do MTST.

Ele defendeu a organização e disciplina do movimento e entende a existência deles é fruto das políticas adotadas pelos governos, que segundo ele, não atende as necessidades da população composta pelos menos favorecidos economicamente.

“Só existe movimento por que existem pessoas sem casa. Agora não dá pra sair por aí reivindicando um monte de coisa, até por que os políticos não vão ouvir. Mas, quando você se organiza cria corpo e voz. O político tem medo do povo na rua”, concluiu.

Já a prefeitura revelou que irá auxiliar nos trabalhos de cadastramento dos ocupantes para o congelamento da área que será delimitada pela massa falida da Vasp, conforme disposto em audiência perante a 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais.

Foto: Ivanildo Porto